Highslide for Wordpress Plugin


Eventos

Não há eventos agendados atualmente.

Enquete

Você vai à Aparecida...
Ver o resultado

Espiritualidade

A comunidade é chamada a uma contínua renovação

Publicado em 06/02/2012

Espero não ser sintético demais afirmando que a expressão “Mudar você e eu!” foi frontal na mensagem que Bento XVI, em sua última visita à Alemanha, em setembro passado. A frase citada em um dos seus discursos, na verdade, foi uma resposta da Madre Tereza de Calcutá anos atrás, quando alguém lhe perguntou sobre o que é preciso ser mudado na Igreja. Ao recordar o fato, o papa sinaliza que a Igreja não pode ser vista pelos cristãos somente sob o foco da instituição, da hierarquia ou de algumas pessoas mais comprometidas. A Igreja é, com efeito, a “casa” de todos os que receberam o batismo e ninguém pode ficar de fora da busca de mudanças possíveis. “Mudar você e eu!” significa que cada cristão e toda a comunidade daqueles que acreditam são chamados a uma contínua renovação. Renovação da vida que se realiza a partir do núcleo da missão da Igreja que é anunciar que em Jesus Cristo cada pessoa é imensamente amada por Deus.

Os contatos feitos durante a visita permitiu ao papa percorrer os mais diversos caminhos da realidade religiosa, social e cultural do seu país de origem. Nada como se mover num ambiente que se conhece a fundo. Partindo da proposta teológica da conversão ao Deus-Amor, ele abriu possibilidades de diálogo da Igreja com a cultura, com outras Igrejas e Religiões. E isso não somente para os países da Europa, mas também para os outros continentes. A fé como experiência pessoal que se vive “com” os outros é o ponto mais alto de uma eclesiologia capaz de abrir-se ao diálogo com comunidades reais e virtuais imersas num acelerado processo de transformação.

Na visita alemã, o papa também enfrentou as conseqüências dos tristes “escândalos” cometidos por quem deveria anunciar com integridade a fé. Ao falar sobre o assunto ele evidenciou o risco desses “escândalos” ocuparem o lugar do “Escândalo” fundamental, conforme São Paulo denomina na Carta escrita aos Coríntios o anúncio do mistério de Cristo morto e ressuscitado. O papa, de fato, não deixa de ser realista ao abordar esses e outros problemas da Igreja. Ressalta a existência de “peixes bons e maus, de trigo e joio” na hierarquia e entre os membros das comunidades. Mas também convida a contemplar o grandioso e profundo mistério que Deus-Amor deseja revelar, também a partir da vida de homens e mulheres que resistem às tempestades, acreditam e constroem um presente e um futuro de unidade e de paz.

E por falar nisso, a perspectiva apresentada aos alemães é de que “Onde há Deus, há futuro”. Não é difícil intuir o quanto esse pensamento contrasta com culturas que defendem o estado leigo como forma de independência dos dogmas religiosos, como se vem verificando em vários países. Na visão do papa, a abertura à ação de Deus sempre leva sociedades inteiras a “novas e inesperadas perspectivas que vão além do hoje e das coisas efêmeras”, aponta. E como uma idéia chave que perpassa o seu pontificado desde o discurso inicial, também nessa viagem não faltou a denúncia ao relativismo subliminar como um mal que penetra todos os âmbitos da vida. Exercendo uma influência cada vez maior sobre as relações humanas e a sociedade, o relativismo tem diminuído a força de valores que sustentam o bem comum nos campos social e cultural e interpelado a ação pastoral da Igreja.

Mas o parecer de Bento XVI é de que não se pode somente buscar soluções filosóficas ou teológicas para explicar o que precisa ser mudado na Igreja. Para ela ser sinal da presença de Cristo no mundo e assumir as conseqüências dessa presença é necessário revisitar a resposta de Madre Tereza. Você e eu devemos mudar no estilo de viver a fé, traduzindo-a em atitudes eclesiais potencializadas a provocar mudanças nos ambientes onde o esquecimento de Deus é cada dia mais comum.

Por Padre Ricardo Pinto

Padre Ricardo é Administrador Paroquial na Paróquia Nossa Senhora Aparecida na Vila Arapuá e colunista de Espiritualidade para o site da Região Episcopal Ipiranga.